Untitled (1962) - Lurdes Castro (1930)


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Author: Pedro Ribeiro Simões
Description:
Centro de Arte Manuel de Brito,CAMB, Palácio dos Anjos, Algés, Portugal Material: Silk-Screen Printing Collection: Manuel de Brito BIOGRAPHY Lourdes Castro deu início aos seus estudos no Colégio Alemão, mas logo com 20 anos abandona a Madeira em direção a Lisboa onde irá frequentar na ESBAL o curso especial de pintura terminado em 1956. Iniciou o seu percurso com uma exposição colectiva ao lado de José Escada e Carvalho e Rêgo no Centro Nacional de Cultura, em Lisboa, em 1954. Casa com René Bertholo em 1957 e depois de uma estada em Munique, partem ambos para Paris no final do inverno de 1957/58 fixando aí residência. Ainda em 1958 foi-lhe atribuída uma bolsa da FCG, o que coincidiu e ajudou, em parte, o início de um projecto em comum – a publicação de uma revista, impressa à mão, em serigrafia, a que chamaram KWY. As três letras, que não existiam no alfabeto português, expressavam com ironia a necessidade de exploração artística fora desse ambiente cultural originário. Em torno da revista, que se materializou em 12 números, formara-se o grupo homónimo de artistas que incluía também Jan Voss, Christo Javacheff, Costa Pinheiro, Gonçalo Duarte, José Escada e João Vieira. O coletivo apresentou-se em quatro exposições, sendo a primeira vez em Lisboa na SNBA (1960). A obra de Lourdes Castro ficaria inicialmente associada à abstração, corrente a que todos os artistas desse grupo estariam ligados, nos primeiros anos em Paris. No dealbar da década de 60 o seu trabalho será já contextualizado pelo Nouveau Réalisme, produzindo colagens e assemblages de objectos obsoletos do quotidiano, pintados com tinta de alumínio. Descobre nessa mesma década, e a partir da serigrafia, um tema de eleição – a Sombra. Desde 1965 reúne todas as referências imagéticas e literárias sobre o tema, em dezenas de volumes a que denomina “Álbum de Família”. O seu processo de experimentação sobre o tema desenrolar-se-á em outros suportes não tradicionais, nomeadamente o plexiglas que utiliza desde 1964, ou lençóis de linho translúcido, onde bordará os contornos das suas sombras deitadas, desde 1968. Lourdes Castro experimentará também o poder performativo da sombra em movimento, no seu “Teatro de Sombras”, já ensaiado em 1966 (no espetáculo de Graziela Martinez, em Paris), continuando nos anos seguintes a desenvolver esses espectáculos em estreita colaboração com Manuel Zimbro que conhece em 1972. Essa parceria na vida e na arte, que duraria mais de três décadas, é evocada e celebrada na exposição de caráter antológico: Lourdes de Castro e Manuel Zimbro: a Luz da Sombra, realizada no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, em 2010. Cria espetáculos como “As Cinco Estações” (1976) ou “Linha do Horizonte (1981) apresentados em várias cidades da Europa e da América Latina. Em 1984, o desenho estará presente numa série intitulada Sombras à volta de um centro, realizada em dois períodos, em Paris (1980) e na Madeira 1984/87 e apresentada na exposição de 2003 em Serralves. No início dos anos 90 produz também em tapeçaria e azulejo. A Fundação Calouste Gulbenkian dedicara-lhe, em 1992, uma retrospetiva – Além da Sombra. É também de destacar a instalação que a artista realizou com Francisco Tropa, no âmbito da representação portuguesa na Bienal de São Paulo de 1998: intitulada Peça. Em 2004 Lourdes Castro foi reconhecida com o Prémio CELPA / Vieira da Silva – Artes Plásticas Consagração. Com Francisco Castro Rodrigues foi distinguida na edição de 2010 dos prémios da Secção Portuguesa (SP) da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Catarina Crua Junho 2013 Source : CAM/ CALOUSTE GULBENKIAN FOUNDATION CAM 1985, Lourdes Castro Não fui a Serralves, hei-de ir. Entretanto, do Arquivo em 1985, no âmbito da Exposição Diálogo, a abrir o programa de performances, happenings e espectáculos, quando a abertura do CAM parecia poder ser um acontecimento internacional. Lourdes Castro e Manuel Zimbro, "Linha do Horizonte" Castro007 ARQUIVO, EXPRESSO REVISTA, 5 ABRIL 1985, PÁG. 28. O tempo de ver RAROS percursos criativos testemunham uma tão grande coerência interna como o de Lourdes Castro, prosseguindo desde 1962 um trabalho com sombras, que foram primeiro impressas em serigrafia, depois pintadas na tela, recortadas em plexiglás, bordadas em lençóis e agora são projectadas num écrã e dadas em espectáculo, tornadas movimemtos e acção. Poderá falar-se na utilização de um achado - se através deste chegarmos ao «ready-made» e daí a uma atitude dadá que está presente em Lourdes Castro como esteve nos novos realistas dos anos 60 em que se afirmou, e como se reactualiza também de vários modos nestes anos 80. Não é no entanto a permanência de uma inspiração que importa sublinhar a propósito de Linha do Horizonte, estreado em Lisboa a abrir o programa de acções complementares da "Exposição-Diálogo", mas o efeito próprio dessa forma particular de performance que, como as suas homólogas, inscreve o corpo e a acção do artista num objecto efémero, que retoma uma prática infantil e uma arte oriental de teatro de sombras, além de aprofundar a direcção particular da criação visual de Lourdes Castro. Poder-se-ia, inserindo o espectáculo na sequência já formada pelos de Mauricio Kagel e Jan Fabre, interrogar qual é o lugar de Lourdes Castro (e Manuel Zimbro, co-autor) nesta amostragem de criações contemporâneas que fazem da inexistência de fronteiras entre géneros uma marca decisiva, e do excesso, da violência e das referências culturais a via de regresso a emoções originárias. Esse lugar é, primeiro, o da radical diversidade actual dos produtos em circulação, negando de forma que se espera decisiva uma crença positivista da ultrapassagem dos efeitos ou do isolamento progressivo dos elementos. Nessa diversidade se inscreve tanto uma obra como a de Jan Fabre, que explicitamente refere as que lhe servem de necessário fundamento, como a de Lourdes Castro, onde são as imagens de um quotidiano familiar e não as de um universo cultural que constroem o discurso. Diria, aliás, que o colocar-se como presente e o não justificar-se como história se configura como manifestação de uma diferença particularmente sugestiva. Depols, se a sombra é a marca de uma ausência, ela é evidência de um artifício que aqui em manifestar-se se basta: o seu movimento dá-se como ficção que nenhuma narração suporta. Esse artifício, produzldo por recursos técnicos que o écrã oculta, contido num plano puramente visual (onde alguma música apenas surge como «companhia", sem produção de outros sentidos), alimenta uma ficção que de simples gestos não-artísticos, banais, se serve para inspirar uma forma de estar. Presença, afinal, de quem vê - e é ainda através do écrã, preservando a ausência fundadora do espectáculo, que Lourdes Castro responde à tradição dos aplausos finais. Uma linha é horizonte, é corrimão ou cana de pesca, é parede, moldura, eixo onde se definem planos de luz e de cor. Ou uma figura, segundo uma duração regida por uma estrita economia do tempo de ver, e de fazer dessa visão um modo de presença que é disponibilidade para acolher uma intensificação de emoções, repete actos tão usuais como subir uma escada, folhear um livro (de imagens), comer, dançar, dormir, entrar em casa. etc. Actos mínimos, recolhidos e não representados - e ao contrário da tradição do happening não desmontados ou denunciados mas ilusoriamente preservados para um efémero momento receptível. Conquista-se assim uma dignidade plena do ver (como noutros retornos ao suporte bidimensional do quadro), num percurso pela acção. Visão em acto, portanto já não marcada por qualquer fatal transgressão que praticas de crueldade antes encenaram. Apenas ver, sem mácula e sem medo. Posted at 18:41 in 1985, CAM, Exposições 2010 | Permalink Technorati Tags: Lourdes Castro

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