Feira do Gibi - eróticos


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Author: Mauren Veras
Description:
Feira do Gibi, 5 de maio de 2006 Esse ano eu descobri mais um motivo para gostar (e tá cada vez ficando mais sofrido) de morar em Porto Alegre: a Feira do Gibi, que acontece todo primeiro sábado do mês no Mercado Público. Essa feira existe desde 2004, possui cerca de 10 expositores e é promovida pela Secretaria Municipal da Produção, Indústria e Comércio (Smic). Na Feira do Gibi, é possível encontrar desde raridades, coleções completas, (agradeço àqueles que cheiram suas sensacionais coleções), quadrinhos de faroeste, heróis da Marvel, graphic novels (mais difícil), GIBI (Rio Gráfica e Editora), Asterix, Tintin, pilhas de Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Animal, eróticos, Turma da Mônica, O Bicho, Charlie Brown, Hagar, Flash Gordon (inclusive edições de luxo), Spirit (delícia!), fotonovela, O Cruzeiro, Grande Hotel, etc (essas últimas não se enquadrando no gênero, mas ainda assim artigo de colecionadores). Duas vezes por ano a feira realiza uma edição que dura uma semana. Desde que descobri este tesouro no coração da cidade, todo mês eu bato ponto e compro nem que seja uma revista só, além do mais, preços existem para TODOS os bolsos, carteiras, bolsas, pochetes e mochilas. Já comprei revista de 5 pilas, como Snoopy e Charlie Brown. Paguei 10 pilas por Spirit, Dundum, Animal, O Bicho, Olho Mágico (muito boa, acho que desconhecida do público em geral: metade dela é de quadrinistas gaúchos e a outra metade de argentinos) e GIBI. Dei 15 pilas por um Almanaque Gibi Nostalgia nº 6 (com histórias do hilário Pafúncio, Agente Secreto X-9, Brucutu, Little Orphan Annie, Dick Tracy e velharias desse naipe). Também já paguei 20 pilas por uma outra revista que também chama Gibi, mas que saía pela Editora Globo, e que comprei, confesso, menos pelo conteúdo (boas historias mas com seqüencia no nº seguinte) do que pela vaidade de possuir uma revista tão antiga: data de 1947. Da última vez deixei de comprar a coleção completa do Moonshadow (John Marc DeMatteis, Jon J. Muth) porque estava 70 mangos e... Bem, meu bolso de Oséias não comporta esse tipo de extravagância. O Bituca me emprestou a coleção dele há uns 3 anos e eu pirei total lendo aquilo. Foi das coisas mais lindas que eu já li em termos de história em quadrinhos (roteiro e arte) e eu definitivamente precisava possuir aquela coleção. Como boa turca, barganhei. O guri se fez de salame mas disse que segurava a coleção até sábado pra mim (era quinta-feira de uma semana inteira de feira, que acabaria no sábado). Fui embora com a Dundum e a Olho Mágico embaixo do braço, mais palatáveis a minha miserável condição. Voltei na sexta-feira com a intenção de fazer umas fotos do evento para ilustrar esse texto vagabundo que aqui está e, oras, dar uma última namorada no Moonshadow. Eu já sabia que não ia gastar aquela grana e queria dar adeus ao pacotinho que repousava em cima de uma pilha de Hellboy. Levei meu mp3 player para gravar entrevistas e introduzi o assunto mentindo que era “um trabalho para a faculdade”. Fato é que é fui monga e acabei deletando TUDO na hora de passar pro PC. Não darei detalhes, foi ridículo, coisa de monga mesmo. Bueno, na banca do Paulo Tortorelli (o carinha do Moonshadow), logo avisei que ele podia vender a coleção, que eu não teria grana mesmo, lamentavelmente. Conversei com ele mais um pouco e ele me disse que o pai dele, de mesmo nome, mais dois sujeitos, o seu Wanderlei e o Moacir, que eram os “cabeças” da feira. O papo rendeu mesmo foi com o seu Wanderlei que não me deixava ir embora, pois contou quase sua vida inteira. Pedi pra ele posar pra mim com as revistas que ele mais curtia da banca dele e ele pegou a Gibi e o Spirit. Ele me contou que em sua pobre infância, fazia de tudo para economizar e ganhar uns trocados para comprar gibi. Ele e os amigos. Mas falou sem afetação, com muita simplicidade. Depois que cada um lia a sua revista trocavam entre si. Perguntei qual personagem ele mais gostava e ele lançou mão de uma revistinha bem carcomida do Brucutu (1933, Vincent T. Hamlin), e começou a falar que aquele havia sido o primeiro personagem pré-histórico das histórias em quadrinhos, que gostava da linguagem, que era simples e divertia. Não eram como os atuais quadrinhos, cheios de violência e sexo. Quando perguntado sobre a paixão por gibis falou sobre a magia de se imaginar em outros lugares, outros tempos. Acrescentou que quando o homem chegou à lua, aquilo, para ele, não teve impacto algum, parecia fato corriqueiro, pois no universo dos gibis ao qual estava habituado, ele já tinha passado pela lua, por outros planetas, lugares e épocas, só possíveis através do fantástico mundo das histórias em quadrinhos e personagens como Flash Gordon. Ele falou comigo de uma forma tão singela, achei aquilo tão bonito e nostálgico... Todo o resto da visita à feira, naquele dia, perdeu um pouco da graça. Aliás, a banca do seu Wanderlei é minha preferida, sempre que vou deixo uns cobres pra ele e saio contente com meus gibis. Quando eu tava saindo da feira, o guri da banca do Moonshadow me alcançou e perguntou se eu realmente queria MUITO mesmo a coleção. Respondi que óbvio, porra! Ele me perguntou se eu tinha Orkut ou msn para o caso de não havendo compradores podermos negociar. Antes de responder que não, não tenho orkut e perguntar na cara dura ‘tu tá me cantando, caralho’? pensei que é praticamente uma falta de pop-identidade social uma pessoa não fazer parte dessa merda desse Orkut. Não perguntei se ele estava me cantando e dei meu contato do msn. Descobri que, de fato, não era cantada e que o Moonshadow não foi vendido. Quem sabe na próxima feira eu tenha o bolso mais recheado e possa, enfim, comprar a coleção. Caso contrário, também não vou ficar triste em adquirir um Charlie Brown circa 1975 por 5 pilas na banca do seu Wanderlei. Que puxa!

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